Um dia, Tereza chegou a sua casa sem ser convidada. Um dia, partiu da mesma maneira. Chegara com uma pesa da mala. Com uma pesada mala partira de volta.
Pagou a conta, saiu do restaurante e foi dar uma volta pelas ruas, cheio de uma melancolia cada vez mais radiosa. Tinha atrás de si sete anos de vida com Tereza, e agora percebia que esses anos eram mais belos na lembrança do que no momento em que tinham sido vividos.
O amor entre ele e Tereza era belo mas doloroso: era preciso sempre esconder alguma coisa, dissimular, fingir, retificar o que dizia, levantar-lhe o moral, consolá-la, provar continuamente que a amava, suportar as reclamações de seus ciúmes, de seu sofrimento, de seus sonhos, sentir-se culpado, justificar-se e desculpar-se. Agora, o esforço tinha desaparecido, e só ficara a beleza.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
sábado, 29 de novembro de 2008
Junto ao ranço dos prazeres efêmeros, guardo pequenos segredos esquecidos e bobos, numa canastra, talhada de escrúpulos nunca quistos.
Bem podia ter lá dentro um pouco de histórias livres e emocionantes, daquelas de se arrepender com gosto desafiado, bem podia ser eu assim. Bem queria.
Meu espelho, a transitoriedade dos desejos, tanta coisa. Ah! tanta coisa.
Acabei de cair no sono e acordei lenta, uma lisérgica sensação do sonho ter sido verdade, por isso falo assim, solta e arrependida de sentir tão lúbrica, como se um grilo dormisse na janela, em cima da cabeceira, junto comigo. Pensar nisso me incomoda.
É digno se arrepender de sentir? De ser tentada pelo que vem de dentro de mim mesma. Arrependo-me disso também, por que devo pensar?
Essas coisas não podem se impregnar assim.
E quanto àqueles segredos, nunca são esquecidos, apenas me refiro a eles dessa maneira porque desejo. Desejo esquecer que desejo, porque não posso. Não posso sentir, mas está na minha pele, um amálgama com a consciência que corrói a vontade de ter a necessidade de não desejar.
Bem podia ter lá dentro um pouco de histórias livres e emocionantes, daquelas de se arrepender com gosto desafiado, bem podia ser eu assim. Bem queria.
Meu espelho, a transitoriedade dos desejos, tanta coisa. Ah! tanta coisa.
Acabei de cair no sono e acordei lenta, uma lisérgica sensação do sonho ter sido verdade, por isso falo assim, solta e arrependida de sentir tão lúbrica, como se um grilo dormisse na janela, em cima da cabeceira, junto comigo. Pensar nisso me incomoda.
É digno se arrepender de sentir? De ser tentada pelo que vem de dentro de mim mesma. Arrependo-me disso também, por que devo pensar?
Essas coisas não podem se impregnar assim.
E quanto àqueles segredos, nunca são esquecidos, apenas me refiro a eles dessa maneira porque desejo. Desejo esquecer que desejo, porque não posso. Não posso sentir, mas está na minha pele, um amálgama com a consciência que corrói a vontade de ter a necessidade de não desejar.
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